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quinta-feira, 3 de março de 2022

Guerra

Queria que os motivos que me trouxessem aqui hoje fossem felizes. Mas não são. Desde a última quinta feira que me sinto mal, pequenina, insignificante e aterrorizada. 
Como assim? Como uma guerra como esta que tem lugar nesta Europa?! Em 2022. Como é que não se aprende nada com a história? Como? Não consigo ficar indiferente, não consigo tirar o pensamento desta porcaria o dia inteiro. O choque inicial do primeiro dia deixou-me fisicamente doente. 

Ainda há coisa de um ano, lia um livro que descrevia o cenário de guerra em Sarajevo... sobre esse livro, escrevi...

Há passagens tão brutais que dei por mim a suster a respiração, a ter que fazer uma pausa, engolir um suspiro ou outro em seco, para poder continuar.
Lembrei-me muitas vezes de ser menina e ouvir falar desta guerra. Dos horrores que era uma guerra, e de ficar aterrorizada porque cheguei a ouvir o barulho ensurdecedor de (penso eu que eram) caças a sobrevoarem-nos. Na altura morava em Espanha, e não me perguntem porque conseguíamos ouvi-los de vez enquanto, mas aconteceu algumas vezes e toda eu tremia

Pouco depois, sobre a II Guerra mundial... Escrevi:

Dói ler estes relatos históricos, por vezes é quase impossível conseguir imaginar o que milhares de pessoas sofreram nas mãos de nazis sem qualquer pingo de humanidade. Os testemunhos dos sobreviventes são por vezes tão brutais, tão inacreditáveis! Hoje, à distância dos anos passados ouvimos falar do Holocausto e parece que não nos toca, mas devia. Devemos falar sobre isto sempre, mostrar a todas as gerações depois de nós o quão diabólico o homem consegue ser.
Curiosamente, enquanto li o livro cruzei-me com dois documentários na tv sobre esta altura, entre uma coisa e outra, nomes que se repetiram entre os livros e os documentários, senti que consegui perceber ainda melhor esta história e o quão condescendentes os alemães do pós-guerra foram com estes criminosos de guerra que na sua maioria escaparam impunes, ou com penas tão insignificantes que foram quase uma ofensa para os sobreviventes, um outro tipo de tortura.

Será que tudo se repete? Durante quanto tempo durará esta guerra? Será esta a tão temida III Guerra Mundial? O que vem ainda por ai? Estamos todos em risco? 

Confesso. As guerras, os desastres naturais são coisas que me dão um pavor terrível, porque vejo o quão pouco controlo temos sobre as nossas próprias vidas e dos outros. Ouvir falar em guerra, em ameaças de ataques com armas nucleares, tudo isso me deixa em estado de alerta, com medo, principalmente porque sou mãe, principalmente porque coloquei-os no mundo e não posso protegê-los da loucura do Homem.

E isto sou eu! Eu que estou geograficamente tão longe (ou tão perto), que apenas vejo os horrores por uma tela. Encolhe-me a alma, o coração, todo o espírito pensar naqueles que lá estão, a lutar, a esconderem-se, a tentar escapar. Até os que estão a lutar e a morrer às ordens de um ditador, um louco, um demónio, com o qual nem sequer concordam. A verem toda a sua vida a desaparecer em horas... caramba, a cada segundo.

Acabem com isto! Que as vidas humanas sejam colocadas, por uma vez, em primeiro lugar. Que deixem os interesses pessoais, políticos, sei lá, de lado. 

Entretanto, a vida continua para os que não estão diretamente envolvidos com este conflito... Como se nada fosse, a fazerem a sua vida, ignorando, olhando para o lado. Se calhar sou eu que tenho demasiado tempo sozinha para me abstrair disto, m e faz-me mal. 

domingo, 4 de outubro de 2020

quando todos escreviam nos blogues

Tenho saudades, - muitas saudades -  dos tempos em que as pessoas escreviam nos seus blogues, onde havia tanta publicação por ler que não conseguia chegar a todas. Sim, temos o Instagram, e o facebook, há muita partilha por lá, mas digam o que disserem, a partilha não é a mesma, a ligação não é a mesma. Tenho saudades dos anos de ouro dos blogues, dos conteúdos, e da inspiração que daí vinha. Lembro-me dos desafios, da partilha de informação e ajuda gratuita, que dávamos e recebíamos com alegria. Não eram os gostos ou os seguidores que importavam. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Regresso à escola


Se há coisa que tem ocupado as cabeças dos pais e mães esta semana, tem sido o regresso às aulas. Por aqui, a coisa não é diferente. Como criatura precavida que sou, tirei estes 3 últimos dias da semana de férias - é que, até parece que adivinhava.
Ora, eu tenho dois filhos. Um de seis anos que entrou este ano para o ensino básico, e outra de nove que passou para o quarto ano. As reuniões de pais, marcadas em cima do joelho, foram ambas ontem, a dele, marcada para as 10h50 só começou às 12h e pouco e quando saímos da mesma já passavam alguns minutos das 14h. A dela, atrasou-se uns meros minutos, e também levou menos tempo.

Ambos têm professoras novas. Ele por ser o primeiro ano; ela, porque por motivos de doença, a professora dos três últimos anos não está a dar aulas, embora continue lá pela escola. Já conhecia ambas as professoras de vista, pois morei durante muito tempo perto da escola e cruzava-me com elas no café local.

Gostei imenso do discurso de apresentação de ambas as professoras, e senti-me um pouco aliviada, principalmente pelo meu pequeno. Pareceu-me que a senhora tem aquela sensibilidade necessária para se conseguir ter tudo do meu pequeno - coisa que não aconteceu com a educadora do pré-escolar e tivemos um arranque bem complicado.

Felizmente a câmara da nossa cidade, oferece os materiais escolares aos miúdos: cadernos, cores, canetas, colas, lapises, borrachas, afia, livros de atividades, cartolinas, pastas, réguas, plasticina, enfim... há já um par de anos que no inicio do ano letivo trazemos um saco cheio de material, que ajuda e muito, no orçamento familiar.

Só que este ano, por culpa do Covid, esse material não nos foi entregue com antecedência como anteriormente, e apenas e só ontem. Ora, o que é que eu fiz o resto do dia? Sim, senhor. Etiquetar essa traquitana toda a dobrar, porque agora são dois (só penso naqueles pais que têm mais filhos 😖). Ah, e a miúda que precisava de um estojo com três compartimentos, só que não encontrei nenhum à venda e hoje achei que era boa ideia fazer um (ela adorou, já agora).

Forrar cadernos com papel plastificado ficou para hoje. Sim, podia só usar uma capa, mas esqueci-me de as comprar quando saí de casa, e depois, bem, não houve pachorra para voltar a fazê-lo. A tarde toda foi só para o estojo e forrar cadernos - que por aqui ainda os decoramos com recortes e desenhos.

Hoje foi o primeiro dia do mais novo. Ia entusiasmado e voltou super feliz. Foram apenas duas horitas e nem mochila levou hoje. Amanhã é que arranca a sério e vamos lá ver como corre. Ela está para lá de ansiosa e nem consegue adormecer. É uma ansiedade "boa", está feliz por voltar a ver os amigos, voltar a aprender. Sinto que o regresso às aulas chegou de rompante, com toda a informação ao mesmo tempo e que nem tive tempo de conversar com eles sobre a nova realidade do regresso à escola.

No entanto, estou tranquila. Concordo com a maior parte das medidas que a escola tomou para enfrentar este novo desafio. Temos que manter a calma, transmitir essa calma aos miúdos. Não podemos garantir que tudo vai correr bem, mas podemos ter esperança e acreditar que sim, não é? 

quarta-feira, 18 de março de 2020

Quarentena



Não há como não falar do assunto do momento. O covid-19, como é óbvio. Afinal, estamos todos metidos no mesmo barco. Pergunto, como tem sido por ai? 

Por cá não temos uma quarentena integral. O pai, continua a trabalhar fora, eu trabalho alguns dias fora, outros em casa, e os miúdos esses sim, estão em casa desde o dia 13 (sexta-feira). 

Ficar em casa com duas crianças não é fácil, temos que assumir todos os papeis ao mesmo tempo. Em primeiro lugar, temos que lidar com as emoções, temos que saber explicar aos nossos filhos o que está a acontecer e porque é que não podemos ir aqui ou ali. 

Depois, temos trabalho para fazer em casa (alguns de nós), temos que alimentar a família, - que, fechada em casa todo o dia, parece não conseguir pensar em mais nada - , temos as tarefas domésticas normais, temos que ter tempo para entreter os miúdos. 

«Ah, aproveitem para ler, meditar, fazer isto e aquilo»... de certeza que isto não é para os pais com crianças pequenas em casa, pois não?! Mas, é o que há. Chegamos ao fim do dia estafados, mas a fazer os possíveis para que tudo corra da melhor forma. 

Por aqui, temos mais ou menos uma rotina. Nos dias que estou em casa, faço a parte escolar logo pela manhã, depois mando-os brincar na rua (temos a sorte de morar no campo, por isso não estamos confinados a quatro paredes, o que ajuda muito!) enquanto faço o almoço. Andam de bicicleta, correm, saltam, gritam um bocadinho... Nos dias que não estou (que é só pela manhã), o pai faz ginástica com eles, e a escola passa para a tarde. 

Depois do almoço, arrumamos a cozinha, fazemos tarefas, fazemos uma actividade, brincamos. Um pouco mais tarde, dou-lhes os tablets* e deixo-os um bocadinho por lá. Aproveito para trabalhar se tiver trabalho para fazer. Faço o jantar. Vemos tv juntos (adultos) enquanto eles lêem livros, ou se entretêm juntos. 

E por ai? Como gerem os vossos dias nestes tempos difíceis para todos? 

* Normalmente só os têm aos fins de semana, mas esqueçam lá isso. Se até os adultos recorrem que nem loucos aos eletrónicos nestes dias, como dizer que não? Procuro isso sim, que antes façam os trabalhos escolares e outras atividades antes dos ecrãs. Quero que saibam que não são a prioridade. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Prendas para este Natal até 10€

daqui

Eu sei que este ano já fiz este post sobre prendinhas de Natal, e ainda mais este, mas estou a portar-me tão bem, estou tão bem encaminhadinha a ter tudo pronto a tempo e horas (e cedo!) que não resisto a partilhar convosco um pouco do que já fui comprando. No fim de semana consegui riscar a maior parte das prendas que me faltavam para as minhas crianças mais crescidas (adolescentes!), e como pessoalmente costumo ter muita dificuldade em decidir o que oferecer a esta maltinha nestas idades, achei que era boa ideia partilhar o que se vai oferecer por aqui, ainda por cima porque foi tudo abaixo dos 10€. 

Basicamente, comprei tudo na minha loja preferida, aliás só passei mesmo por duas lojas, o Ikea porque precisava de comprar mais umas peças de mobiliário para o meu quarto (mostro noutro post) e nesta. Logo depois fugi do centro comercial... não suporto tanta gente junta! Fiquei com enxaqueca e tudo!

Enfim... aqui na primeira foto abaixo, tenho duas canecas para duas manas de 11 e 15 anos. Custaram 4€ cada e o que têm de diferente é que mudam de cor com o calor, ou seja, aparentemente são todas pretas, mas ao colocar uma bebida quente dentro, elas mudam de cor e aparece um desenho diferente em cada uma delas. 
Ao lado um relógio despertador que projecta as horas a laser, para uma parede por exemplo e comprei-o para um rapaz, filho de uma amiga. Tem 13 anos, não é nada activo e só pensa em computadores e telemóveis. Não sabia mesmo o que lhe comprar e isto pareceu-me a mim e ao meu marido, uma opção engraçada. Custou 5€. 
Em baixo um livro para pintar. Mas é um pintar especial, são livros para pintar com água. Os meus filhos têm um igual cada um, que dá para usar, deixar secar e usar novamente. Este não é para um adolescente nem é prenda de natal e sim de aniversário, andava de olho nele há um ano, nunca mais tinha encontrado desde a última vez que o procurei. Creio que foi 4€. Não guardei o talão e alguns preços já não estão tão claros na minha cabecita. Se não foram os 3€ de certeza que mais do que 4€ também não foi. 


Para o meu sobrinho de 13 anos, que adora tudo o que esteja ligado a smarphones, o meu marido deu de caras com um ecrã que amplia a imagem do smartphone para melhor visualização (muito útil para ver vídeos por exemplo). Custou 7€. Ia-mos com ideias de lhe comprar um candeeiro de luzes que vi no catálogo mas não chegou à nossa loja. 
Para a adolescente mais pipi que eu conheço, comprámos um organizador de maquilhagem em acrílico, com duas gavetas e divisórias em cima. Custou 10€ e foi a prenda mais cara que comprámos. Nada mau, a meu ver. 


Para finalizar, da mesma loja, veio o caderno de colorir. A particularidade? Devemos colorir de acordo com o nosso humor cada dia da semana. Eu também tenho um igual, porque também sou miúda para gostar destas coisas. Este comprei-o para a minha sobrinha de 11 anos que saí à tia e adora. Já o tinha comprado e não me recordo bem o preço, entre 3€ e 4€. 

As escovas da Santoro, vendo-as eu onde trabalho e são mais uma sugestão que adiciono aqui. Uma delas é para a minha filha. Custam 7,50€ cada. 


Para terminar as máquinas de cupcakes que já tinha mencionado no primeiro post sobre as minhas ideias para este Natal. Comprei-as há cerca de uma semana e custaram-me 9€ cada. Eu achava que eram 10€, por isso não sei se vi mal anteriormente ou se realmente baixou o preço. 


E por ai? Vai tudo encaminhado? Para os mais pequenos também já só me faltam fazer duas prendas e comprar mais uma. Para os adultos... bem, ainda só fiz as lembrancinhas para as educadoras/professora. Sinceramente, não estou muito preocupada em ter ou não algo para os adultos. Isso sim, o licor de alfarroba já está em andamento, ainda precisa de mais uns dias para apurar e depois sim posso coar e passar para as garrafinhas que comprei para oferecer. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um horror

É o único que se me ocorre para descrever isto. Porque há coisas tão difíceis de aceitar... porque tenho dois filhos e moro num prédio, e vivo com um medo terrível que algo do género aconteça. 

Quando a mais velha tinha uns dois anos, apanhei um dos maiores sustos da minha vida, toda eu gelei, tremia enquanto me aproximava de uma janela para espreitar lá para baixo, com o pânico no rosto e o medo de a encontrar. Felizmente, o meu susto teve outro desfecho, foi só mesmo susto. 

Abri uma greta pequena da janela para a casa respirar um pouco enquanto fazia limpezas, ela pequenina andava por aqui e ali a brincar. Sai do quarto e quando voltei vi que a janela estava completamente escancarada e nada dela. E o silêncio. Felizmente ela abriu a janela, não sei se se assomou a ela, talvez o seu medo das alturas a tenha feito recuar, talvez não fosse mesmo a hora dela, mas quando finalmente a encontrei escondidinha e salva, voltei a nascer. Isto afetou-me tanto que nem consegui falar sobre isto com ninguém durante meses. 

Mais tarde, quando o meu mais novo era bebezinho, lembro-me de acordar em pânico, e procurar o meu marido, aninhar-me no seu colo em busca de conforto. Porquê? Porque tinha tido um pesadelo. Um pesadelo que me pareceu tão real que parecia estar mesmo em choque quando acordei. 

Resumidamente, nesse pesadelo, a minha mãe tinha caído do nosso andar e eu via-a lá em baixo. Dei um grito de agonia, e espreitei novamente quando percebi que debaixo do corpo dela, espreitava a mão minúscula do meu filho. Foi tão real, tão desesperante que ainda hoje me custa pensar nisso. Levei mais de uma semana com medo de adormecer. 

E é por isso que desde ontem à noite, desde que li a notícia sobre este menino de apenas 4 aninhos que o meu peito não tem sossegado. Volta e meia os meus pensamentos correm para esta família, para a avó que cuidava do menino nesse momento, esse momento que aposto a vida em como todos queriam apagar, andar para trás, mudar tudo em segundos. 

Não os conheço, mas isso pouco importa, porque o que está em causa, é a vida, ou a morte deste menino que em segundos deixou de ter tudo pela frente para viver, e o pavor que eu sinto destas situações, e de saber que quando têm de acontecer acontecem, que sou impotente em relação aos meus, que não os consigo proteger sempre, que somos frágeis, insignificantes... 

Não há nada que se possa fazer ou dizer para mitigar estes sentimentos. Absolutamente nada. E sei que vou deitar-me e conseguir dormir, porque afinal, os meus dormem no quarto ao lado, sãos e seguros. 

Vou tentar empurrar estes pensamentos de choque e de revolta com esta aleatoriedade que ceifa vidas, qualquer vida sem seguir uma linha... nenhuma criança deveria morrer... não assim, não de forma alguma... mas eu vou conseguir empurrar estes pensamentos para os lados, pouco a pouco, irão ficar arquivados num canto qualquer. O mesmo não poderão dizer outros pais, e isso entristece-me tanto, tanto. 

Injustiça!!!


Descansa em paz, anjinho Tomas. 

sábado, 15 de julho de 2017

Posers


Parámos ao lado de um colégio privado e enquanto o marido foi fazer o que tinha a fazer, eu esperei por ele no carro. Os miúdos do colégio deveriam de estar a sair da festa de fim d'ano ou algo assim porque traziam os seus diplomas com eles. 

Reparei numas pessoas que estavam à porta. Três adultos que falavam distraidamente entre eles e duas meninas, de uns 8 anos talvez, ambas com os seus diplomas em mão. Vi depois a mãe de uma a tirar foto à filha, que lançou um sorriso aberto ao telemóvel. Não lhe bastou e tiveram que tirar mais uma foto, uma foto em que constava a menina com o diploma, as também fizeram questão de incluir o nome do colégio. 

Enquanto assistia à cena, pensava para mim: "e a seguir vamos publicar a foto no facebook, ali com a escola que a criança frequenta e tudo escarrapachado!". E nem de propósito, assim que disparou a foto, a mãe passou o telemóvel à miúda, desinteressadamente e continuou a conversa. A miúda agarrou-se a ele e ficou para lá a mexer muito concentrada. 

A outra miúda pediu que lhe tirassem uma foto igual. Pousou super sorridente e feliz, e assim, mas mesmo assim que a foto foi disparada a sua expressão alterou de tal forma que me fez confusão. Ficou tão mas tão séria. O diploma já não importava, a foto, a foto é que era importante. 

Faz-me confusão esta ordem de prioridades e falsas alegrias que, até as crianças, procuram partilhar com os outros... 

terça-feira, 20 de junho de 2017

De coração pequenino


Eu, que deixei de ver telejornais há cerca de seis anos, sou sempre das últimas a ar das notícias. Isso aconteceu também com o incêndio de Pedrogão Grande. No sábado à noite fomos jantar com uns amigos e permanecemos sempre longe das redes sociais (onde geralmente acabo por acompanhar os acontecimentos mais falados da atualidade). O meu marido que se juntou a nós mais tarde, ainda comentou por alto, algo do género "lá para cima está um incêndio enorme"- Confesso que dei pouca importância. Todos os anos assistimos às mesmas situações, e a distância faz-se notar. Não o sentimos da mesma forma. 
Só no domingo à noite é que eu tive a noção do que estava efetivamente a acontecer, pois durante todo o dia também me mantive longe de redes sociais e notícias em geral. E fiquei com o meu coração pequenino! A não conseguir sequer imaginar o cenário. Tanta vida ceifada em tão pouco tempo! A força da natureza é avassaladora e impõe respeito. E a dor daqueles que ficam, os que perderam tudo, os que ainda lutam. A coragem dos nossos bombeiros, tão pouco respeitados e reconhecidos, que fazem de tudo em troco de praticamente nada. 
E deixamos de ter a ideia do "está longe", porque já diz o ditado que "longe da vista, longe do coração!", mas aqui não se aplica. Longe da vista, mas a quebrar o coração. A impotência de pouco se poder fazer para ajudar. Resta-nos fazer os possíveis, agradecer todas as ajudas que quem precisa tem recebido, e rezar, para que a tragédia não se repita, que Portugal pare de arder. Porque neste momento, a norte, a centro ou sul, somos todos portugueses e estamos todos a perder aqui. 

Regresso às aulas numa escola nova

Estamos novamente naquela altura do ano em que os miúdos voltam para a escola, o tempo começa a esfriar, e os recomeços tomam lugar.  Por aq...