Em inglês chamam-nos/lhes "stay at home moms", que traduzido à letra seria, "mães que ficam em casa", porém por cá, chamamos-lhes/nos "mães a tempo inteiro" e isto minha gente tem feito correr muita tinta porque as mães que trabalham sentem-se ofendidas e atacadas, como se elas fossem apenas mães a tempo parcial.
É mais que óbvio que isso são balelas, nenhuma mãe é mãe a tempo parcial, porque a partir do momento que os geramos que somos todas mães a tempo inteiro. Mesmo nos momentos em que não temos as crias debaixo das asas, os nossos corações não deixam de se preocupar com eles.
Os dois grupos de mães acima mencionados, passam a vida a "atacar" o outro sem necessidade nenhuma. O tipo mãe que trabalha também se divide em dois:
1. a mãe que queria ficar em casa com os filhos e que vive angustiada na sua vida profissional
2. a mãe que não pode passar sem a sua independência e vida profissional para se sentir completa. E não há mal nenhum nisso. Uma mulher não é apenas mãe.
Depois existem as mães que por escolha própria, acharam por bem abdicar da sua vida profissional, de uma carreira, para se dedicarem aos filhos.
E eu fui essa mãe, que deixou o trabalho quando a minha filha mais velha nasceu. Fiquei sempre em casa com ela até que entrou na creche já com dois anos feitos. Quando me preparava para voltar ao activo, engravidei de novo e optei por ficar novamente em casa pelo mais novo que está agora com dois anos também e que começa amanhã na creche também.
Aos dois tipos de mães, peço que não se acusem. A mãe que trabalha não é menos mãe, trabalha fora, cuida dos filhos nas horas que restam. A mãe que fica em casa, não passa a vida de papo para o ar mesmo que no fim do dia a casa pareça ter sido varrida por um furacão. É um trabalho ingrato, nada reconhecido, um arruma constante com criancinhas atrás o dia inteiro a desarrumar logo a seguir.
A mãe que fica em casa, é muitas vezes serviço público para a família porque "ah, está em casa e tem tempo para fazer isto e aquilo, ou ficar com este ou aquele, afinal já fica com um ou dois que mal faz mais um?!". E ninguém quer saber se por vezes está tão, mas tão esgotada de almoços, e jantares e lanchinhos, e fraldas e birras, e estorinhas e banhos que só queria um par de horas para descansar, mas não pode ser porque essa mãe, geralmente anda com os rebentos atrás 24h por dia.
Neste momento acredito que tenho o melhor dos dois mundos. Um part-time onde só trabalho 4h pelas manhãs, ficando com o resto do dia livre para eles. Onde não ganho muito, mas ganho algum, o que é melhor que a sensação de inutilidade quando se fala de orçamento familiar, e é ter a sensação de alguma independência outra vez.
Amanhã, o pequenino entra na creche. As nossas rotinas vão começar a alterar-se, a mais velha só começa mais para o meio do mês. Tenho a certeza que nos vai saber bem a todos não estarmos sempre juntos, porque a hora que os for buscar será de grande alegria e terei toda a energia necessária para me dedicar a eles.