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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Eu: e o consumismo.


Muitas vezes paro um pouco para olhar à minha volta, dentro da minha casa. Apesar de andar constantemente a tirar coisas que já não quero, daqui para fora, parece que vejo sempre mais do que gostaria. Pergunto-me como é que fui juntando tanta coisa?! E depois chego a algumas conclusões sobre a minha pessoa. 

Quando olho para mim, enquanto consumidora, tenho consciência que melhorei muito ao longo dos últimos anos, que hoje penso muito antes de gastar o meu dinheiro seja no que for. Há uns dias dei-vos o exemplo da cama nova. Era algo que queria há imenso tempo, mas consegui esperar, ir espreitando aqui e ali, ir comparando. Dei também tempo ao tempo, com isto quero dizer que esperei, e que passado todo esse tempo, eu ainda queria muito uma cama com arrumação. Resultado: tenho a certeza que foi uma boa compra, que me é útil, e que não a vou trocar enquanto estiver em condições. 

Há alguns anos atrás, eu ia às compras quando me sentia frustrada... assim, sem mais, só para melhorar o meu humor. Geralmente resultava em sacos de roupa, calçado, livros, muitos livros e por vezes até artigos de decoração que não precisava nem sabia muito bem onde os ia colocar. Tralha! Hoje em dia tenho consciência que era apenas tralha que eu trazia, e que só servia para acumular. 

Sei que foi assim que certas coisas entraram cá em casa e já não saíram. Bem, as roupas e calçados eu despacho com facilidade quando já não me dizem nada, já os livros custa-me imenso desapegar-me de qualquer um deles, até aqueles que li e não gostei particularmente. Os artigos de decoração foram ficando, para cá para lá. Com a perspectiva de construção da outra casa, ia guardando, poderiam servir para a próxima. 

A vantagem de ter esperado tanto tempo para dar continuação à outra casa, teve as suas vantagens. Amadureci enquanto consumidora, defini melhor o meu "estilo de vida e de estar", e hoje sei que sou muito mais pelo menos. Menos coisas, menos stress, menos gastos. 


Faz-me imensa impressão, e isso desde sempre, quem compra só para estar na moda. Até na luta contra o consumismo e na filosofia do minimalismo eu vejo pessoas a livrarem-se de coisas que já tinham adquirido, para comprarem outras mais dentro da sua nova linha de pensamentos. Não deixa de ser consumismo. Trocar uma coisa por outra. 

Já para não falar dos escravos dos cartões de crédito. Eu só tenho um porque o meu banco mo ofereceu, e que uso tão poucas vezes que por vezes até tenho dificuldade em me lembrar onde o coloquei da última vez (bem, agora já arranjei um local onde o guardo sempre, para não dar mil voltas à casa), só para terem uma ideia. Mas há exageros no seu uso que me deixam parva. Cheguei a ver, numa loja onde trabalhava, pessoas a pagarem-me coisas de valor inferior a 5€ com cartão de crédito. A sério?!!

Cada vez mais, quero comprar apenas o que realmente nos faz falta, ponderar mais as minhas escolhas, apostar em coisas de qualidade, que durem e que posso adaptar caso me farte delas. Não digo que vou deixar de comprar, se pensarmos todos assim lá se vai a economia, mas há que ser razoável nas nossas escolhas. 

Já fui muito consumista, se calhar para preencher o vazio da minha infância. Não passava fome, não me faltava roupa, nem sapatos para calçar, mas no que toca a brinquedos eu sempre quis mais do que aquilo que os meus pais me podiam dar. O meu primeiro computador, só o comprei a meio da adolescência quando comecei a trabalhar nos Verões. Sinto-me orgulhosa por ter evoluído, por ponderar antes de comprar a primeira opção que me aparece (e arrepender-me depois). 

E vocês? Em que grão de consumismo acham que se enquadram? O que gostariam de mudar? 

3 comentários:

  1. Não sei se é uma moda que resultou da crise mas também estou a aderir ao minimalismo e estou muito confortável assim. :P Comecei por comprar uma casa pequena no centro da cidade, em detrimento de uma vivenda mais longe da cidade. Só aí poupo num carro que não comprei porque vou a pé para todo o lado.
    Móveis, praticamente não tenho, só o essencial. Na sala tenho o móvel da TV, (apesar de não ter TV cabo, só netflix), sofás, mesa e cadeiras para jantar e 3 prateleiras e uma mesinha pequena em forma de cubo onde guardo revistas. E cabe tudo ali. Também não tenho escritório nem cómodas, e bibilots são menos de meia dúzia de coisas especiais que me foram oferecidas.

    Penso muito, mas muito mesmo antes de gastar dinheiro seja no que for. E mesmo assim, sinto que poderia melhorar muito mais.

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    1. Que é moda lá isso é. O meu marido sempre teve preferência pelo minimalismo na hora da decoração, para ele quantos menos móveis melhor, mas depois no resto é um bocadinho materialista. Eu não, achava sempre que precisava de mais e mais estantes para guardar a tralha que tinha até que descobri o "minimalismo" não na decoração, mas como estilo de vida. E comecei a perceber que ao tirar de casa o que não usava ou não me fazia falta, eu sentia-me também mais leve, e mais feliz. Por isso, se é moda, é uma moda boa e mesmo que eu não seja dada a seguir "modas" não me chateio mesmo nada de seguir esta. E sabes qual é a melhor coisa? É que quanto mais praticamos o desapêgo, mas fácil nos é fazer escolhas mais ponderadas, em tudo na vida... não só nas coisas, mas nas acções, nas emoções... é mais fácil colocar de lado, seja o que for que não nos deixa felizes, não concordas?

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    2. Concordo plenamente. Isto é quase uma terapia e sim, vem em conjunto com uma série de mudanças que vão muito para além do material. ;) É, sem dúvida nenhuma, uma boa moda. :D Beijinhos

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