Pesquisar neste blogue

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

No poupar é que está o ganho



Há uns anos, a minha patroa dizia que eu era muito poupadinha pois arranjava sempre recursos dentro daqueles que já tínhamos na loja. O nosso senhorio, que por acaso mora por cima e gosta muito de conversar, sempre que a ouvia respondia-lhe: "O ganho não está no que se ganha e sim no que se poupa!". 

Sim. Realmente eu devo ser muito poupadinha, o que, se me permitem, difere de forreta... isso eu não sou. Mas continuando, dizia eu que sim, devo mesmo de o ser, eu e o meu marido porque de outra forma não sei como conseguíamos fazer tudo o que fazemos. 

Durante cerca de 5 anos eu não trabalhei fora, estive em casa, para me dedicar aos meus filhos sem qualquer vencimento. Tínhamos apenas o dele, e o que nos valia era a forma como o geríamos. Ainda por cima, o trabalho dele é daqueles muito sazonais, como as formiguinhas tínhamos que aproveitar o verão para passar minimamente bem o inverno. 

Tivemos meses mais difíceis, mas nunca nos faltou comida na mesa, roupa para vestir, calçado nos pés, nenhuma despesa ficou por pagar, nem precisámos de andar a pedir empréstimos a ninguém. Ainda durante esse tempo, colocámos a mais velha no infantário, conseguimos acabar de pagar o meu carro (abatemos o equivalente a quase um ano que nos faltava pagar para livrar a dívida), nunca deixámos de fazer algumas refeições fora nas folgas dele e até fomos de férias (cá dentro, mas fomos!). 

Por isso sim, é no poupar que está o ganho. Hoje em dia, temos mais uma ajuda, porque embora o meu part-time não seja nada de por ai além - acho que voltei a trabalhar mais para me sentir útil e ter uma vida "mais normal" novamente, do que propriamente pelo que ia ganhar - não deixa de ser mais esse x que entrou no nosso orçamento e que claro, ajuda. Se conseguíamos só com um vencimento, com um e meio fazemos maravilhas. Sei porém que não somos a regra. 

A nossa prioridade foi sempre fugir aos créditos. Neste momento temos a casa (apartamento onde habitamos no momento) e a cozinha que montámos na outra casa, ai não dava mesmo para fugir. De resto, quando temos compramos, quando não temos juntamos até ter, e tem funcionado muito bem. Ter uma poupança de parte é bastante importante também, porque assim não custa quando chega alguma despesa inesperada. 

Já tenho conversado com pessoas cujo orçamento familiar triplica, no mínimo, o nosso e no entanto chegam ao fim do mês quase que a arrastarem-se. Isso não nos acontece, conseguimos encontrar um equilíbrio na gestão daquilo que ganhamos e gastamos, e como vos disse continuamos a sair quando queremos, lanchamos (comemos) muitas vezes fora, temos as contas pagas, os miúdos a estudar com os seus gastos inerentes, dois carros para sustentar, demos continuação a uma casa em obras, o frigorífico sempre cheio, viajámos, e sempre que queremos damos-nos aos nossos pequenos luxos pessoais - livros, roupa, calçado, etc, etc, etc. 

Tornei-me mais ponderada nos gastos, mas também deixei de achar necessário comprar muita coisa que antes me parecia surreal não comprar, só porque podia. Com a redução do que entrava em casa, a minha mentalidade mudou. Comecei a fazer melhores escolhas. 

Mantenho desde que voltei a trabalhar um mealheiro onde vou colocando algumas moedas especificas de um e dois euros, apenas. Há meses que consigo mais do que noutros. Além disso estipulei retirar sempre uma percentagem do meu ordenado para esse mealheiro também. E tem sido com ele que temos feito as últimas férias, comprado prendas mais dispendiosas aos miúdos, tatuagens, aproveitado os saldos quando os miúdos precisam de muitas peças de roupas novas, etc. 

Por isso, e muito mais, eu digo e afirmo que não está tanto naquilo que se ganha, mas sim no que se faz com o que se ganha. A minha colega não gosta disto, diz que por vezes não dá para fazer milagres, mas eu também não sou santa para fazer milagres. Eu e o meu marido juntos, ganhamos bem menos que ela e o marido dela juntos (e ela não paga infantário do filho porque tem a mãe para ficar com ele) e no entanto, nós temos uma vida muito mais desafogada, e aproveitamos a nossa bem mais. E ainda tenho muito mais tempo livre para os meus filhos do que ela tem para o dela. E isso, vale ouro. 

4 comentários:

  1. Ora isto é uma grande verdade.
    Nós também poupamos e muito o mais que podemos. Com 3 miudos na escola, nós dois a tabalhar e fazemos sempre ao máximo todas as poupanças.
    Queixo-me é claro, refilo, é certo, mas mais depressa ponho o €€€ no mealheiro que o gasto. E não me considero forreta (embora me possam chamar por não lhes comprar o que querem - mas isso é outro assunto, já que não falo de miudos)
    Bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Por vezes receio falar destas coisas. Normalmente oiço "nem sei como vocês conseguem!" com desdém... embora tb já o tenha ouvido com admiração genuína e uma pontinha de inveja. Eu não sou de me queixar no que diz respeito ao dinheiro, pelo contrário, tento não desorientar quando aparece alguma despesa maior, pois tenho confiança na nossa gestão.
      Não sou forreta, se o fosse não tinha gasto rios de dinheiro na última feira, onde deixei os miúdos andarem em todos os carroceis que queriam... os meus, e os emprestados que foram comigo. É para estas coisas que vale a pena poupar, para lhe poder dar mais experiências do que coisas, que depressa colocam de parte.
      beijinhos

      Eliminar
  2. Eu penso o mesmo: mil vezes proporcionar experiências aos miúdos do que comprar um brinquedo que em menos de nada está num canto em casa a encher-se de pó...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. e cada vez penso mais assim... principalmente porque o meu mais novo é um destruidor nato. Ele não brica com os brinquedos, ele empilha-os em várias frentes!

      Eliminar