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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Quando é a vez do segundo


Engraçado é ver como nós pais, conseguimos ser diferentes para os nossos filhos. O amor que sentimos por eles, sejam os primeiros, segundos, terceiros ou quantos sejam, cresce e multiplica-se (não se divide) a cada vez que um deles é parido, no entanto, a forma como encaramos o seu desenvolvimento consegue ser tão diferente. 

Há cerca de três anos, mais dia menos dia, mandei a minha mais velha para a creche, aos dois, pela primeira vez. Lembro-me de chegar ao carro e de sentir como as lágrimas me saltavam dos olhos, nunca percebi bem se lhe custava mais a ela que também ficava a berrar por mim, ou a mim por ouvi-la a chorar e pela primeira vez, não estar lá para a consolar. Em casa, sentia-me perdida sem ela por perto, não estava habituada.

Andando três anos para a frente, foi a vez de mandar, hoje, o mais pequeno. Ele correu para a sala e ficou bem, o que logo à partida foi uma mais valia, mas o meu coração de mãe ia também mais sossegado, mais calmo, mais habituado à ideia de que chega um momento em que começam a descolar de nós, e que o tempo me daria o consolo de saber estar sem ele por algumas horas. 

Com ele foi mais fácil, bem mais fácil, para ele e para mim - pelo menos este primeiro dia, que lhe correu tão bem. Que acordou bem disposto quando lhe falei em ir brincar com os outros meninos na escola, que mal chorou, que brincou, comeu, dormiu e que quando cheguei andava na rua a brincar. Que viu a mana e ficou a olhar para ela, com ar confuso, até que me viu por detrás e a sua cara de felicidade não poderia brilhar mais! * a primeira coisa que fez foi puxar a bata para que eu a tirá-se, meteu todos a rir. 


Daqui a nada, é ela que volta também à sua rotina, e eu vou voltar a ter algum tempo sem criancinhas por perto, coisa que não acontece desde que ele nasceu, com excessão de uns dois ou três dias em que ficaram os dois com a tia. Três anos depois dos choros por não estar preparada para a deixar ir, chego aqui, ao momento que estou pronta e algo grata até, por ter chegado esta altura, ou fase ou o quê, em que ambos têm as suas rotinas, e eu algum tempo de volta só para mim. 

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